Sunday, September 29, 2013

Mais um carta..e a história da mobilete

Dessa vez do meu amigo Fábio..8/dez/81. Ele me conta que ficou em recuperação em física e matemática e que tinha conhecido uma pessoa de modo diferente, mas não podia me contar, apenas pessoalmente. Ai pede para eu reunir a turma e avisá-lo. Fábio é um querido amigo de longa data, hoje mora em Sp, é ator, quase não conseguimos nos ver mais.

..E tantas letras que formam uma história
tantas lembranças que se juntam para formar um conto
Um "a" que fica perto de um "m" formando a palavra "amigo"
Nem ontem, nem hoje, um breve suspiro, um sopro de lembrança...

Ahahaha, lembrei de uma história ótima com ele. O Fábio tinha uma "mobilete", lembra aquelas motinhos que eram uma febre? Pois é, e todos queriam andar na mobilete dele, só que a mãe dele não deixava ele emprestar. Mas como o Fábio era parceiro, ele deixou eu dirigir, só que tinha chovido e acabamos escorregando e a tal da moto estragou. Como tudo era motivo para rir, voltamos para a casa da Dani para contar o que havia acontecido, só que o Fábio estava desesperado pensando na reação da mãe dele e eu e a Dani estávamos nos mijando de tanto rir.

Ele chamou a mãe e ficou do lado de fora do prédio dando explicação, gaguejando, tentando inventar uma história para livrar nossa cara e eu e a Dani ficamos escondidas do lado de dentro escutando tudo, dando gargalhadas, imaginando a cara dele..foi muito divertido e até hoje lembramos dessa história :-)


O ano é 1991..

Abro a primeira agenda e logo na primeira página já tem várias lembranças..só de olhar meus dados pessoais. 

Constatação num 1: eu nem imaginava que ia existir celular. Ali naquelas páginas amarelas tem meu num de telefone da época quem morava em Canguçu (sim, existe no mapa e fica perto de Pelotas.) 

Constatação num 2: SEMPRE deixava dados de contato em caso de emergência (do meu pai, no caso). faço isso até hoje.

Logo no dia 1 de jan já escrevo que tinha passado o ano novo em Osório (cidade onde  morei dos 2 anos até os 14). lembro que foi uma dor imensa ter ido embora de lá, deixar tantas amizades, primeiro amor..e sempre que dava eu retornava. Pois então, passei a virada no GAO (clube local) e 'não fiquei com ele". Ele no caso foi meu primeiro amor e namorado. :-0

Nas próximas páginas tem várias frases e poemas, acho que estava com preguiça de escrever..ai encontro uma longa carta, de mim para eu mesma. Como eu escrevia! Eu era muito intensa, tinha muita coisa para botar para fora. Esta dizia assim:

"A chuva cai lá fora e no entanto eu me sinto seca. Ela está tão próxima que se eu estender a mão posso tocá-la. Mas é claro que eu não faria isso, não seria ético (?? o que se passava na minha cabeça). Mas e dai? Se eu quiser deixar a água bater em meu rosto, em meus lábios e beber como se fosse vinho..." E segue com vários questionamentos sobre Deus e a humanidade..ehehehe

Ai encontro uma carta, de 1994, de uma amiga, a Dani (nos vemos até hoje), digitada no computador em DOS!! Dizendo que está com saudades. Era bom receber cartas, esse objeto raro que ninguém mais faz. A Dani me conta que tinha ido acampar com vários amigos na Borrúcia, que tinha ficado com o Jean, amigo do Júnior, que era namorado da Ale! (oh tempo bom!). Disse ainda quele era querido mas não era bonito. Ela estava fazendo um curso de operador de computador (!) no Senac (anos depois estou trabalhando no Senac), que havia rodado nas 3 cadeiras da faculdade mas me prometia melhorar. Na época ela morava em POA e eu em Santa Maria já. No outro lado ela escreve novamente que não havia colocado a carta anterior no correio, era época da copa, o Brasil ganhou o Tetra e ela conta como foi a festa e a despedida de uma amiga que foi embora para Minas. E fala, claro, do Jean. 

Esse tempo era bom d+, não tínhamos muitas preocupações, somente em saber onde era a próxima festa e porque o "gatinho da vez" não nos dava mais bola eheheeh.  

Voltando para a agenda acho um xerox de uma matéria da Capricho com o seguinte título: 
"Bilhetinho Azul: você levou um fora e agora não sabe o que fazer". ahahahahaha
Por que eu guardava isso???

Em seguida escrevo que estou muito triste porque não vou passar o carnaval em Osório e que o Sandro (um carinha que eu era meia apaixonada) tinha ido para o Cassino. 

* 17 de Jan de 1991 a Guerra havia estourado (acho que foi a do Golfo) e eu fui jogar ping pong no clube :-)
** 20 jan/91 : Sandro me levou em casa de "Escort"
** 21/jan/91 Fui para Osório e as primeiras pessoas que fui ver foram a Narla e o Marcelo..porque será? ehehe
** 24/jan/91 fui a praia e "surfei"(eu surfei um dia???) aparentemente perdi 500 reais mas conheci uns gatinhos nesse dia..ahahahaha A Adri e a Dani estavam comigo
Bom, o resto dos outros dias foram recheados de preocupações em torno do Marcelo, que hora me dava bola, hora me ignorava. A Narla e Vania eram minha detetives, me contanto com quem ele ficava e tal..ahahaha

Várias folhas são para contar meus dias em Canguçu, idas ao clube, piscina e registrar TODAS as vezes que o Sandro tinha me dado oi (!). Então, eu era apaixonada pelo Marcelo mas tinha uma queda pelo Sandro..confuso não? 

Porque minhas violetas não dão flores...

Esse era para ser o título do livro que ia escrever..ou que vou escrever..achei bonito, intrigante e divertido.
Ai, remexendo no passado, percebi que minha vida está recheada de flores, várias cores e formatos, com sentimentos diversos.

Remexer no passado é algo perigoso, pode dar tontura, palpitação, excitamento, crise de riso, choro compulsivo, revolta. É um risco olhar pelo espelho retrovisor e ver quem você era e no que se tornou. Mas também é uma viagem fascinante!

Sabe aquelas agendas, cheias de recortes, adesivos, poemas, cartões grudados, papel de bala e tudo o mais que uma vida inteira permitiu ficar registrado ali? Essas agendas que não tenho coragem de botar fora porque toda a minha história está escrita em caneta verde, rosa, amarelo e fosforescente. E essas histórias que não são só minhas, são de outros tantos. Como botar fora isso? Não dá! É até um desrespeito com toda essa gente.

Então resolvi transcrever. Transcrever todos os anos que ainda tenho guardado, todas as cartas que recebi (sabe o que é uma carta? nem existe mais, acho). Bom..e ai segurem-se firme, tem muita coisa para contar.
Muitos irão reviver suas histórias também..não sei se posso citar nome, isso dá processo? ehehehe