Monday, November 13, 2006

cócegas no coração

Quero um amor de dar cócegas no coração
daqueles que inflama, deixa sem ar, sem rumo
daqueles que os olhos ficam turvos de lágrimas
não se sabe de alegria ou tristeza
um amor que arrebata, que me faça saltar sem paraquedas
que me tire a fome ou doa de tanto comer
que eu tenha riso fácil na madrugada
que eu não meça consequencias
não calcule despesas nem mimos
um amor que sufoque e liberte
um amor de escutar djavan quando o sofrimento estiver tão puro
incrustado na alma para depois ouvir passarinhos quando a paz voltar
quero um amor que saiba ser criança, tomar banho de chuva, acampar no
jardim do vizinho, comer sem hora, dormir sem sono
um amor que eu sinta nos dedos, na pele, na língua, na boca, na alma
um amor que eu não resista, que seja perigoso e deosordeiro
que me tire os princípios, que mude meus sonhos
Aquele amor que eu reconheça no olhar, no sorriso, na mão suada
nas palavras não ditas, no silêncio que acalenta
um amor de mãos dadas num domingo no parque
um amor de cinema com pipoca ou filme em casa com cobertor
um amor de aventuras, sem barrerias, que doa de tanto amor
um amor que seja eterno enquanto dure..mas que dure para sempre...

Saturday, September 09, 2006

Caos corporal

Meus olhos não concordam
com minha boca
que acha estúpido
o meu nariz
que não gosta de minha testa
que conta para as orelhas
que não topa com meus peitos
que tem inveja dos meus quadris
aquele que se trorce de nojo
das minhas pernas
já que elas se negaram
a carregar meus pés
Tenho andado pelos meus pés
mas as vezes eles não conseguem suportar o peso
que precisam carregar
nem sempre temos a cruz que mrecemos
mas sempre carregamos uma cruz
meus pensamentos insistem em me levar
para um lugar tão longe
de meu coração..quase
outro planeta, onde não posso tocar
nem sentir ..mas
quando fecho os olhos é como se você
estivesse aqui
me fazendo dormir
dizendo que a vidsa é funny baby

SOBRE ESCREVER

Eu escrevo, escrevo muito
escrevo para espantar o tédio
para afastar o sono
para afastar a dor
para manter a mente
escrevo porque só o que boto
no papel faz sentido
porque só o que a caneta borra pode transformar a realidade
escrevo para passar as horas
..
mas se passam..o que faço?

poema ao acaso

não há saida para os fatos
para os atos
desmedidos
se em meu mundo
um só segundo
tudo pode girar
e transformar o tédio
em algo deslumbrante
algo contagiante
que nem as cores
n em as flores
podem traçar esse quadro
de elos concretos
mal feitos ao acaso

Friday, July 28, 2006

Colcha de Retalhos

Ahhhh..Ramirez
já faz tanto tempo né..mas tempo não se mede, se projeta, se prepara para ele
e eu não estava preparada, ainda não. Então vá lá..vejamos o que temos aqui, buscando algumas coisas que ficaram para trás..não! tem coisas que não devemos trazer, deixem elas lá, perdidas numa esquina qualquer, mergulhadas em um copo de vinho, tontas depois de um cigarro..deixem, não levantem essa pó..bem vejamos..me situando no tempo (ah..ele de novo!), meu tempo..diga-se de passagem, porque eu tenho um ritmo próprio, um metabolismo complexo de veias e átomos e sangue e bactérias..e andei meio perdida, meio desconectada, ainda estou, mas agora com vontade de botar para fora
Hum...você acha?? não..não Ramirez, não é TPM, nem depressão..não..sou eu! O que? você nunca percebeu?? sim..o tempo apaga tudo, até as impressões, mas sou eu, nem mais, nem menos..ok..talvez menos..mas fazer o que, life is like that, e o mundo está em transmutação e vou me transmutando também..
Não sente Ramirez?? esse cheiro de esgoto no ar, essa poça de lama espalhada no universo?
Não sente teu peito oprimido, tuas mãos suando, tua voz ofegante??
Ramirez, por duas vezes te quis e por duas vezes te reneguei..porque será?? quantos anos de auto-análise serão suficientes até que eu consiga entender esse mecanismo sabotador de meu coração, minha alma???
Ramirez, quero me afundar na merda..sim!!!! Quero viver tudo plenamente, gozar até cair tonta no chão, colocar os pulmões para fora, saltar sem pára -quedas..quero ir até a beira do abismo, desafiar as regras..
Onde foi que eu me perdi de mim mesma?? Não..não senhor! não me venha com essa..naquele tempo eu era jovem.,.e a juventude é assim...não tem limites...mas agora supostamente sou madura..entendo melhor as pedras do caminho
Diga Ramirez, porque ficamos tão presos, tão limitados, tão chatos??!!
Por que duvidamos de tudo e nos apegamos a qualquer coisa?
Tem coisas aqui dentro..crescendo..queimando..corroendo..coisas que tenho medo de ver..de pegar..de provar..mas elas estão saltando Ramirez..não tem volta...e eu vou junto
Talvez eu deixe um pedaço de mim num pote com formose para ser estudado,dilacerado, decepado...é..talvez eu seja um experimento qualquer, nunca se sabe..a medicina avança..
Mas que pedaço iria deixar?? hum..vejamos..oh..que isso Ramirez?? isso é muito pessoal..nem todos provaram...ficaria desnuda..de pele e alma..
Talvez meus olhos para não perder o espetáculo que virá? ou quem sabe minha boca, porque eu gosto de falar..você bem sabe...mas meus dentes amarelados do cigarro me reprovariam e você sabe que fumar tem seu valor
Então quem sabe não deixo nada..isso!! nada..para quê?? que valor terá..não serei mais eu..minha alma já estará longe,em outro corpo, outro coração..
Quem será que fui nestas outras vidas Ramirez?
Gosto de me imaginar na região celta, cercada de reis e rainhas, cavaleiros..com aqueles escudos, espadas do rei Arthur..gosto de pensar de Avalon é logo ali, que meus cabelos são longos, minha pele é alva, meu vestido de tecido rude, cru...
A qualquer momento posso ver Merlin entrar no meu quarto, tocando sua flauta e declarando seus enigmas...
Ahhh devaneios..devaneios...
Ramirez..encontrei a porta aberta..agora já não posso parar...o outro lado me chama...
mas por hoje é só..